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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

STF DERRUBA HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO EM CASO DE JUSTIÇA GRATUITA:

 STF DERRUBA HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO EM CASO DE JUSTIÇA GRATUITA:

 STJ majora honorários sucumbenciais por obrigatoriedade dos limites ...-  Migalhas

A Corte julgou um dos pontos mais polêmicos da reforma trabalhista sob o entendimento de que é inconstitucional obstaculizar o acesso à Justiça do Trabalho pelos hipossuficientes.

Nesta quarta-feira, 20.10.2021, o plenário do STF decidiu que são inconstitucionais dispositivos da reforma trabalhista, que fixam o pagamento de honorários periciais e sucumbenciais pela parte derrotada, mesmo que ela seja beneficiária da justiça gratuita.

O colegiado, no entanto, manteve a validade do pagamento de custas pelo beneficiário que faltar injustificadamente à audiência inicial.

A Ação foi proposta em 2017 pelo então PROCURADOR GERAL da REPÚBLICA - RODRIGO JANOT contra as alterações que a reforma trabalhista trouxe. A PGR impugnou os seguintes aspectos:

Honorários periciais e sucumbenciais a serem pagos pelo beneficiário de justiça gratuita;

Pagamento de custas processuais por beneficiário de justiça gratuita que faltar à audiência inicial sem justificativa.

Leia abaixo os dispositivos impugnados:

"Art. 790-B. A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita.

§ 4º Somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em juízo créditos capazes de suportar a despesa referida no caput, ainda que em outro processo, a União responderá pelo encargo." (NR)

Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% ([...]) e o máximo de 15% ([...]) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. [...]

§ 4º Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.

Art. 844.

§ 2º Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável."

No entendimento da Procuradoria, as alterações impõem "restrições inconstitucionais à garantia de gratuidade judiciária aos que comprovem insuficiência de recursos, na Justiça do Trabalho".

    ALTERAÇÕES SÃO CONSTITUCIONAIS

Em 2018, o caso começou a ser julgado pelo plenário. Naquela oportunidade, o ministro Luís Roberto Barroso, relator, entendeu que não há desproporcionalidade nas regras questionadas, uma vez que a limitação tem como objetivo restringir a JUDICIALIZAÇÃO excessiva das relações de trabalho.

BARROSO explicou que essa "SOBREUTILIZAÇÃO" do Judiciário leva à piora dos serviços prestados pela Justiça e prejudica os próprios empregados, dado que a morosidade incentiva os maus empregadores a faltarem com suas obrigações, buscando acordos favoráveis no futuro. "O Estado tem o poder e dever de administrar o nível de litigância para que permaneça em níveis razoáveis", afirmou.

O RELATOR, ENTÃO, FIXOU SEU ENTENDIMENTO NAS SEGUINTES TESES:

1. O direito à gratuidade de justiça pode ser regulado de forma a DESINCENTIVAR a LITIGÂNCIA ABUSIVA, inclusive por meio da cobrança de custas e de honorários a seus beneficiários.

2. A cobrança de honorários sucumbenciais do hipossuficiente poderá incidir: (i) sobre verbas não alimentares, a exemplo de indenizações por danos morais, em sua integralidade; e (ii) sobre o percentual de até 30% do valor que exceder ao teto do Regime Geral de Previdência Social, mesmo quando pertinente a verbas remuneratórias.

3. É legítima a cobrança de custas judiciais, em razão da ausência do reclamante à audiência, mediante prévia intimação pessoal para que tenha a oportunidade de justificar o não comparecimento.

Os Ministros LUIZ FUX, NUNES MARQUES e GILMAR MENDES acompanharam o entendimento do RELATOR.

 

ALTERAÇÕES SÃO INCONSTITUCIONAIS:

O Ministro EDSON FACHIN, por outro lado, votou no sentido de julgar a ação totalmente procedente e, por consequência, declarar as alterações inconstitucionais

O ministro sustentou que os dispositivos questionados mitigaram o direito fundamental à assistência judicial gratuita e o direito fundamental ao acesso à Justiça. Para o MINISTRO EDSON FACHIN, as restrições impostas trazem como consequência o esvaziamento do interesse dos trabalhadores em demandar na Justiça do Trabalho, tendo em vista a pouca perspectiva de retorno.

Este conteúdo pode ser compartilhado na íntegra desde que, obrigatoriamente, seja citado o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/353470/stf-derruba-honorarios-de-sucumbencia-em-caso-de-justica-gratuita

"Mesmo que os interesses contrapostos a justificar as restrições impostas pela legislação impugnada sejam assegurar um maior compromisso com a litigância para a defesa dos direitos sociais trabalhistas, verifica-se, a partir de tais restrições, uma possibilidade de negar-se direitos fundamentais dos trabalhadores."

Este entendimento foi seguido pelo MINISTRO LEWANDOWSKI e pela MINISTRA ROSA WEBER.

ENTENDIMENTO INTERMEDIÁRIO:

Para Alexandre de Moraes, não são razoáveis e, por isso, são inconstitucionais, os arts. 790-B, e § 4º, e 791-A, § 4º (sobre a responsabilidade dos honorários periciais e sucumbenciais pela parte vencida).

Para o ministro, não é porque a parte ganhou algum outro processo que ela se torna autossuficiente. "Simplesmente entender que, por ser vencedor em um outro processo, já o tornou autossuficiente, seria uma presunção absoluta da lei, que fere a razoabilidade", asseverou.

ALEXANDRE de MORAES afirmou que a reforma trabalhista, nestes aspectos, estipulou restrições inconstitucionais. "[a parte] comprovou a insuficiência de recursos, foi tida como hipossuficiente, obteve a gratuidade, mas, mesmo assim, vai ter que pagar?!", questionou o ministro.

Porém, o ministro entendeu ser razoável e constitucional o dispositivo do 844, §2º (aquele que impõe o pagamento de custas pelo beneficiário que faltar injustificadamente à audiência inicial).

A Ministra CÁRMEN LÚCIA e o MINISTRO DIAS TOFFOLI acompanharam tal entendimento.

 

RESUMO DO JULGAMENTO:

Honorários periciais devidos a beneficiário de justiça gratuita:

VOTARAM A FAVOR:

LUÍS ROBERTO BARROSO, LUIZ FUX, NUNES MARQUES E GILMAR MENDES.

VOTARAM CONTRA:

EDSON FACHIN, RICARDO LEWANDOWSKI, ROSA WEBER, ALEXANDRE DE MORAES, CÁRMEN LÚCIA E DIAS TOFFOLI.

Honorários de sucumbência devidos a beneficiário de justiça gratuita:

VOTARAM A FAVOR:

LUÍS ROBERTO BARROSO, LUIZ FUX, NUNES MARQUES E GILMAR MENDES.

VOTARAM CONTRA:

EDSON FACHIN, RICARDO LEWANDOWSKI, ROSA WEBER, ALEXANDRE DE MORAES, CÁRMEN LÚCIA E DIAS TOFFOLI.

Pagamento de custas pelo beneficiário que faltar injustificadamente à audiência inicial.

VOTARAM A FAVOR:

LUÍS ROBERTO BARROSO, LUIZ FUX, NUNES MARQUES E GILMAR MENDES, ALEXANDRE DE MORAES, CÁRMEN LÚCIA E DIAS TOFFOLI.

VOTARAM CONTRA: EDSON FACHIN, RICARDO LEWANDOWSKI E ROSA WEBER.

Processo - STF: ADIn 5.766

Fonte: Boletim MIGALHAS QUENTES – atualização em 21.10.2021.

OBS: Grifos nossos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

COVID-19 DOENÇA OCUPACIONAL - VINCULAÇÃO AO TRABALHO

COVID-19 DOENÇA OCUPACIONAL - VINCULAÇÃO AO TRABALHO

Portaria 2.309/20 é revogada: COVID-19 não é doença ocupacional - SFCB  Advogados

A COVID-19 pode ser reconhecida como doença ocupacional, mas, para tanto, é necessário que se caracterize o nexo causal entre o desempenho das atividades profissionais e a infecção. Esse entendimento pautou duas decisões recentes do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.

Em um dos processos, um auxiliar de lavagem que atuava em uma distribuidora de automóveis não conseguiu comprovar que havia contraído a doença por culpa do empregador. A 9ª Turma do TRT-2 confirmou entendimento do juízo de primeiro grau, que não reconheceu o acometimento de doença ocupacional e indeferiu o pagamento de danos morais e materiais. Para o colegiado, cabia ao trabalhador o ônus de provar as alegações, o que não ocorreu.

O DESEMBARGADOR-RELATOR do Acórdão, MAURO VIGNOTTO, explicou que, mesmo que o auxiliar tenha apresentado um exame de sorologia com resultado positivo, "o citado método não é o adequado e seguro para a constatação da doença, pois depende de verificação mediante exame de PCR, o qual não detectou o CORONAVÍRUS no organismo do reclamante".

Além disso, em seu próprio testemunho, o profissional contou que o empregador forneceu equipamentos de proteção, que pegava metrô e ônibus para chegar ao trabalho e que atuava como engraxate nos finais de semana, atendendo clientes em domicílio.

"De conseguinte, e porque sequer comprovado que o obreiro contraiu COVID-19 durante o contrato de trabalho, resta prejudicada a análise da suposta doença ocupacional, bem como os pleiteados danos moral e material daí decorrentes", concluiu o relator.

ACIDENTE DE TRABALHO

O outro caso é de uma ação trabalhista que tem como reclamantes o espólio de um trabalhador, a viúva e seu filho em face de uma fábrica de cigarros. O obreiro havia contraído COVID-19 e morreu por complicações da doença. A família pleiteou no processo, entre outros, o reconhecimento de doença profissional equiparada a acidente de trabalho, com o pagamento de indenização por danos morais e materiais, além da fixação de pensão vitalícia.

Por unanimidade, os magistrados da 5ª Turma do TRT-2 negaram provimento ao pedido dos autores, mantendo assim a decisão de piso. Eles entenderam que não havia sido comprovado a existência de nexo causal entre a doença que vitimou o trabalhador e a atividade por ele desenvolvida na empresa.

"Os elementos dos autos não são suficientes à caracterização da doença como de cunho eminentemente laboral, ou seja, não há como se ter certeza de que a doença que acometeu o obreiro se deu, estritamente, em razão de sua atividade laboral. Meros indícios, como se sabe, não bastam para eventual condenação", afirmou a juíza-relatora do acórdão, PATRÍCIA COKELI SELLER.

Além disso, segundo análise de prova oral, concluiu-se que a ré adotou as medidas necessárias para preservar a higidez física dos seus colaboradores, inclusive permitindo àqueles portadores de COMORBIDADES o trabalho remoto, ou, ainda, oferecendo táxi ou transporte por aplicativos para os deslocamentos dos empregados à empresa.

*Com informações da assessoria de comunicação do TRT-2.

PROCESSO Nº 1000396-57.2021.5.02.0061

PROCESSO Nº 1001350-68.2020.5.02.0084

Fonte: CONJUR – publicação: 08.10.2021